11 de set de 2013

Meu recém chegado

Sábado costumava ser sempre um dia qualquer no meu calendário, embora odiasse ir ao metrô, já devia ter me acostumado afinal todo sábado as sete da manhã  eu atravessava a cidade para ir à casa dos meus avós. Embora ao meu redor estivesse rodeado de pessoas, eu ainda me sentia só e vazia o que me restava era apenas algumas peças de roupa dentro de uma pequena mala, e o livro da minha escritora favorita Stephanie Meyer. Meus amigos não entendiam o porquê de eu nunca ficar com os meus pais nos fins de semana, eu também nunca perdi meu tempo explicando, apenas dizia que preferia fazer companhia a minha avó no seu pequeno chalé. Na verdade eu não suportava mais as brigas entre aqueles dois, e sinceramente, eles nunca me entenderam, nunca se importaram comigo... Opa, eu falei amigos? Bom, não sei se eram necessariamente "amigos", colegas; digamos assim... Eu nunca tive amigos, porém a presença de desconhecidos era bem mais saudável do que aturar meus pais... Quase perdia a hora, nossa, isso sempre acontecia comigo, nunca fui pontual. Aquele barulho típico e infernal do metro atrapalhava toda a minha leitura, só não entendo porque estou reclamando, isso fazia parte dos meus sábados, exceto um desconhecido, nunca havia falado com ele antes, mais já tinha o visto faz um tempo, uma vez me perguntei se ele tinha uma rotina parecida com a minha, outro dia passamos próximos, e justo naquele sábado, ele foi o meu companheiro de viagem, ele vestia um suéter preto, e trazia consigo um velho caderno rabiscado. Eu queria falar com ele, mais minha timidez me atrapalhava, sem motivo algum eu fiquei sem reação e quando ele sentou ao meu lado, parece que nós já nos conhecia-mos ou foi apenas uma leve impressão por conta da grande atração que ele ocasionava em mim. Eu estava na pagina 120 de “A hospedeira”, lia rapidamente, porém desconcentrada, a presença dele havia me deixado um tanto nervosa, até ele me perguntar se eu lhe podia informar as horas... Que pergunta boba, eu esperava que ele fosse mais criativo. Ele lia algo em tom baixo, e me perguntou por que eu era tão solitária... Ninguém nunca havia me perguntado isso antes, ninguém nunca conseguiu perceber o que se passava comigo. Naquele momento travou um nó na minha garganta, e tudo o que lhe conseguir responder foi “eu não sei, talvez eu esteja no lugar errado”.

Tainã Almeida

7 comentários:

Alex Cardoso disse...

Perfeito *___* ( http://nospodemosonhar.blogspot.com.br/ )

Anônimo disse...

Poderia eu ser o companheiro dessa dama solitária?

Vanessa Lima disse...

Que lindo.

Tonyyy disse...

Nossa Vou Fazer Uma Musica Com essa historia... se vooç me permiti !!

Ana Clara Vaz de Melo disse...

Oii Tainã! Tudo bem ? Não sei se você se lembra de mim, mas eu sou autora do Geração Rock'n'Roll! Amei seus últimos posts, apesar da minha falta de tempo excessiva, eu ainda consegui lê-los e vim aqui fazer um comentário a você: continue assim, carismática, inteligente, ótima escritora, você vai longe! Um grande abraço de sua admiradora, Ana Clara.

Vinicius Oliveira disse...

Sabe eu preciso de coisas como essas,por isso eu te adicionei na minha lista de leitura. Suas palavras são inspiradoras. Obrigado pelas palavras

Bya C. V. disse...

Muito Bom seu texto!